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Dia de chuva, bom pra não fazer nada!

Sempre penso sobre o que faço com o meu tempo.

Mais do que me preocupar em como preenchê-lo, meu desafio é encontrar maneiras de deixá-lo mais livre.

Como não entrar na paranoia de ficar ocupado o tempo todo (que nada tem a ver com produtividade, diga-se) e ter mais tempo pra não fazer nada?

Parece estranho? Mas esta é uma das questões que mais me instigam e mobilizam atualmente.

Não acho razoável, sob qualquer ponto de vista, que uma pessoa passe doze, quinze horas de seu dia fazendo coisas que não gosta.

Isso inclui trabalho, obrigações domésticas, trânsito, filas, tarefas repetitivas, relacionamentos e mais um monte de situações que todos nós temos que (ou nos deixamos) viver todos os dias.

Mas o que mais me intriga é a dificuldade moderna em lidar com o tempo livre.

A gente reclama que não tem tempo, certo? Mas o que mais vejo são pessoas que não sabem o que fazer com as saudáveis lacunas de tempo entre as obrigações da vida adulta.

Eu mesma já fiquei até mais tarde no trabalho, inventando obrigações, dificuldades e tarefas, por pura incapacidade de lidar com o tempo de sobra.

E, por ter sofrido deste mal (e não querer viver assim nunca mais!), fico especialmente sensível quando ele volta a me rondar.

E me entristeço quando vejo pessoas, aos punhados, atropeladas por esta síndrome – sem sequer dar-se conta, o que é pior.

Tempo livre é como uma folha em branco que você pode preencher como quiser. Inclusive não fazendo nada (modalidade que eu adoro praticar…).

Para desprogramar a alma, a regra é não tratar a dádiva do tempo livre como um peso.

Mas sim como o presente valioso que ele é.

Simples assim

Foto tirada na Toscana, um lugar que acendeu em mim a fagulha da simplicidade

Cultivar a simplicidade nada tem a ver voto de pobreza. Ou em negar a vida em sociedade.

Simplificar a vida tem muito mais a ver com a redefinição de prioridades. Em focar e assumir o que realmente importa.

Modelos pré-determinados passam longe desta decisão, já que cada um sabe (ou deveria saber) o que é melhor pra si.

E é justamente aí que a coisa complica.

Ser simples não é tão simples quanto parece: passa por quebra de padrões, redefinição de parâmetros e mudança de atitudes.

Tudo ao mesmo tempo.

Reavaliação do comportamento em relação ao consumo é importante, claro. Mas optar pela simplicidade passa também (e principalmente) por uma certa serenidade diante da vida.

É que com a negação da fórmula consumo=felicidade, outras riquezas precisam entrar em cena.

Do cultivo de plantas ao cuidado com as relações afetivas, da prática espiritual ao estímulo ao prazer carnal, da geração de boas ideias à valorização da gentileza, do desenvolvimento de talentos à quietude da mente.

Coisas que não são vendidas em shoppings e que fazem parte do arsenal de valores que cercam uma vida simples.

Parece óbvio, mas nossa opção – como humanidade – ainda está calcada na tenebrosa fórmula trabalho/dinheiro/consumo/competição/falta de tempo.

Não surpreende que exista tanta gente doente por aí.

Época de pequi

“Está dando muito pequi este ano!”

Recebo a notícia como quem recebe um presente.

“Tem como guardar pra mim?”, pergunto.

Vou ganhar pequi conservado em óleo, que depois aromatiza o arroz.

Longe da roça, licores, doces, conservas, óleos e polpas são as formas mais comuns de encontrar o pequi para comprar.

Mas bom mesmo é roer o caroço! Com cuidado para não bulir com os espinhos que moram lá dentro. Morder caroço de pequi é chateação na certa.

Tem gente que detesta pequi. Eu, que não gosto de jaca, até entendo.

É que é mais ou menos igual: o cheiro e gosto fortes podem não agradar.

Mas se você é dos meus e não imagina uma viagem sem novos sabores, experimente.

Quem sabe você também não cai de amores por ele?

O Cine Santa fica aqui, neste casarão no Largo dos Guimarães, em Santa Teresa

Fica no bairro de Santa Teresa, um dos meus cantos prediletos no Rio de Janeiro, mais um destes lugares inusitados que venho descobrindo pela cidade: o Cine Santa.

Com carinha de cenário de praça do interior, à primeira vista nem parece que é um cinema de verdade. Mas é. Com programação divulgada nos jornais e tudo.

Costumo entrar lá nem que seja pra dar uma olhada no movimento, tomar um café ou observar as pessoas que entram e saem, geralmente moradores do bairro ou turistas.

Não sei se ele costuma ser frequentado por gente de outras partes da cidade , pelo que percebo o cinema é mais voltado para a vizinhança mesmo. Não por acaso, eles promovem sessões de graça para crianças da comunidade e possuem preço diferenciado para amigos cadastrados.

Em uma de minhas idas , descubro que, segundo a Ancine, o CineSanta é a sala que mais exibe filmes nacionais no país – proporcionalmente, claro. É que a única sala tem só 60 lugares (com uma tela de qualidade mas bem menor do que as que fazem sucesso por aí).

Para mim, só de saber que existe um lugar assim, que se contrapõe -propositalmente ou não – à avalanche de cinemas multiplex que invadiu o mundo, já acho o máximo. É por aí que caminha o meu conceito de modernidade, conforto e luxo.

E olha que antes ainda dava pra chegar até lá de bondinho… Demais, não?

Quando o bondinho ainda circulava...


Quem me conhece sabe que nunca morri de amores pelo Rio.

– O queeeeeeeeee????? – Você pergunta, chocado.

É, nunca morri de amores.

Mas agora, por uma destas enormes voltas que a vida dá, cá estou morando no Rio de Janeiro.

E quer saber? Não morrer de amores pelo Rio me permite um olhar distanciado, que me traz muitas vantagens.

Uma delas é me encher de contentamento cada vez que me deparo com paisagens de tirar o fôlego que encontro pelo caminho (e olha que não são poucas!).

Outra? É me sentir como se estivesse de férias, até em um trivial passeio de bicicleta. Mesmo que seja plena quarta-feira e eu tenha que trabalhar no outro dia logo cedo.

Mais uma vantagem? Achar o máximo esbarrar sempre com um chopinho gelado e de boa qualidade, em qualquer birosca da esquina. Pelo menos nos lugares que já morei, chope gelado e de boa qualidade só em determinados bares e restaurantes (que sabem cobrar bem caro por ele!).

E a mais sensacional de todas: ver gente na rua o tempo todo! Na praia, nas praças, no centro da cidade, nas avenidas, tem gente pra lá e pra cá direto.  Fazendo nada, parada, namorando, conversando, passeando com o cachorro. O máximo!

Em resumo, me delicio com coisas que os cariocas acham muito normais e que, para mim, mais parecem doses diárias de contemplação e felicidade.

Não morrer de amores pelo Rio me permite sair daquele estado de deslumbre quase cego que muita gente tem com a cidade.

E que, em minha opinião, deixa as pessoas meio sem critério, se sentindo injustiçadas porque a cidade “mais bonita e maravilhosa do mundo” tem lá os seus problemas.

Pra mim, o Rio é como todas as outras cidades: tem suas virtudes (muitas) e seus defeitos (muitos).

Eu, por enquanto, tenho me deliciado com as qualidades – que pretendo reportar aqui, em doses homeopáticas.

Um clássico que não dá pra não visitar...

Ah, e como ignorar as dicas óbvias, clássicas, mas que valem muito a pena?

Uma delas é um belo passeio pelo Largo do Chiado, em Lisboa, para um café no A Brasileira, com direito a uma super turística e divertida foto ao lado de Fernando Pessoa – assíduo cliente do café.

Sente-se do lado de fora, misture-se aos turistas e lisboetas que lotam o lugar nos finais de semana, peça um expresso ou uma “bica” e seja feliz!

Luminosa Vancouver

O texto foi escrito especialmente pra uma amiga. Os filhos iam passar uma temporada em Vancouver e ela queria dicas pra um bom começo na cidade. Eu, que tinha voltado recentemente de lá, sabia que o inevitável iria acontecer: a cidade falaria por si e os meninos cairiam de amores por ela rapidinho.

Mas atendi com gosto ao pedido, listei lugares, cheiros, cores, vivências e sabores que experimentei e percebi que gostaria que tivessem me passado também.

Como toda lista de dicas, esta é só um começo, claro. Vancouver tem muito mais e bom mesmo é se perder pelas ruas, se misturar ao povo e descobrir os seus próprios cantinhos.

Davie Street  – Foi a área de downtown em que nos hospedamos e é conhecida por ser um local totalmente gay friendly. Entenda

Uma das paradas de ônibus pink da Davie St!

como “friendly” mesmo: é uma rua repleta de restaurantes, bares e mercadinhos, cheia famílias, velhinhos, jovens, casais hetero e também gays. Ou seja, não é exclusivamente gay como às vezes acontece no Brasil.

É lá que fica o Stephos, aquele restaurante grego que te falei. Tem fila na porta sempre, mas vale super a pena esperar – até porque não demora tanto. Os pratos são bem servidos e muito baratos, além de deliciosos. Se eles gostam de frutos do mar, podem pedir o Calamaria Dinner (acho que o nome é este, se não me engano), com anéis de lula e salada grega. Uma delícia.

Do lado do Stephos fica o Samurai, que foi o nosso restaurante japonês habitual em Vancouver: seja porque era pertinho de casa, seja porque os pratos são deliciosos, baratos e enormes. Fale pra ele pedir um sashimi aperitivo (parecem bifes de peixe!) ou os rolls de caranguejo do Alasca.

Para uma experiência gastronômico-antropológica , eu indico o Kintaro (na Denman St). É um restaurante japonês minúsculo, onde só servem noodles (aquelas sopas com macarrão), os cozinheiros só falam japonês  e também tem fila na porta. Peça pra ficar no balcão, onde dá pra acompanhar o preparo dos pratos. Talvez na época que eles forem esteja muito quente para comer as sopas, que são pura “sustança”. Mas  vale a pena ir lá, pelo menos uma vez.

E comida coreana é uma delícia, o difícil é entrar no restaurante e saber o que pedir. Com certeza eles vão conhecer coreanos por lá, então a dica é convidá-los pra apresentar a comida do país deles. Fizemos isso com uma colega de escola e não nos arrependemos: ela escolheu um ótimo restaurante e fez uma verdadeira degustação com a gente.

Escultura na English Bay: para se divertir!

A English Bay, que é uma orla que começa na Burrard Bridge e vai até o Stanley Park,  é cheia de artistas de rua e gente fazendo piquenique, caminhando, correndo, jogando hóquei, andando de patins e bicicleta. Um astral. Também era pertinho da nossa casa, a gente ia lá direto, ótimo pro final de tarde, que é quando fica lotada. No comecinho da Denman tem uma loja de sorvetes maravilhosa (esqueci o nome, mas também tem fila sempre), onde eles misturam os sabores com castanhas, frutas, chocolates, você monta o seu. Tem que experimentar!

A área de Kitsilano, depois da Burrard Bridge, é muito bacana também. Tem uma praia lá, a Kitisilano Beach onde a moçada vai passar os domingos e finais de tarde. É lá que acontecem vários festivais, agora no verão certamente devem ter vários acontecendo. Tem um restaurante japonês lá, chamado Temaki Sushi, que até foi indicação da mulher do meu amigo, que é de Vancouver, ou seja, uma dica local. Fica no cruzamento da Broadway com a Arbutus, em Kitisilano. Nós comemos lá, é delicioso, mas um pouco mais caro do que os outros que te falei.

Granville Market aos domingos. Um dos meus passeios prediletos lá. É numa área de marina, onde atracam barcos de pescadores

com peixe fresco, pegamos um festival de camarão do Pacífico lá, compramos frutos do mar, muito legal. Tem uma loja chamada Lobster Man, que vende ostras frescas, camarões, frutos do mar. Vale super a pena. E o mercado, que é maravilhoso! Já que eles vão alugar apartamento, dá pra levar queijos, frios, massas frescas, estas coisas.

Ah, uma coisa legal de fazer é, assim que chegar lá, subir no Lookout, que é um prédio super alto, que serve como um mirante da cidade (com a carteirinha da escola eles dão desconto na entrada). Dá pra ter uma idéia muito bacana da geografia da cidade, onde ficam os principais pontos, além de ser bem bonito. Fundamental ir lá em um dia claro.

Um passeio imperdível: Stevenston, bem ao sul de Vancouver. É uma colônia de pescadores, bem típica, de onde dá pra ver os Estados Unidos. Delícia de ir em dia de sol, passear mesmo, e depois almoçar um peixe em algum dos restaurantes de lá.

Ir a Chinatown é demais também. Eu, que pensava que a Liberdade era o supra sumo de colônias asiáticas no exterior, fiquei encantada. É bem típica, vende de morcego seco a cogumelos gigantes, uma coisa maravilhosa de se ver, totalmente diferente do que a gente conhece!

O Museu Antropológico, na UBC (University of British Columbia) tem peças do mundo todo, mas o interessante mesmo são os totens construídos pelos indígenas de lá (eles chamam de first nations). Aliás os desenhos dos indígenas de lá são uma coisa linda, tem várias lojas pela cidade que vendem produtos com as estampas de first nations, pede pra ele trazer um brinco ou um anel de prata pra você!

E o jogo dos Canucks, time de hóquei que ele logo vai perceber que é onipresente na cidade. Eu não fui ver , mas deve ser bacana ir ao estádio assistir a uma partida de hóquei quando os Canucks jogam. A cidade pára!

Bem, estas são algumas dicas de lugares que considero imperdíveis. Eu poderia escrever mais umas três páginas, porque é realmente uma cidade com muitas opções. É claro que existem passeios mais turísticos e também legais, como o Sea Aquarium, andar de bike no Stanley Park e bate e volta pra Seattle (precisa ter visto pros EUA). Estas dicas que dei são menos óbvias, mais parte do cotidiano dos locais mesmo, que é o que nós gostamos de fazer.

Muita coisa bacana que estava acontecendo na época eu descobri no endereço http://www.tourismvancouver.com. É o site do turismo oficial da cidade mas não é nada careta, tem a agenda de eventos, dicas de pessoas da cidade, sugestões de passeios, estas coisas.

O chato é que o inevitável, uma hora acontece: é preciso voltar e realizar que Vancouver é muito, mas muito longe do Brasil…